Tecnologia

Low-code: o que você precisa saber sobre desenvolvimento com pouco código

12 de Novembro de 2020

por Marketing

Tempo de leitura: 8 min

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2020 foi um ano de inflexão para o low code ou desenvolvimento com pouco código. Entenda o que está em jogo.

Já imaginou ter uma equipe de programadores e desenvolvedores que conhece apenas uma ou nenhuma linguagem de programação? É justamente isso que o low-code promete para as organizações, que ainda assim vão desfrutar amplamente das vantagens de aplicações sofisticadas.

Segundo a Gartner, com a crescente demanda das organizações como um todo por TI, o desenvolvimento de produtos digitais fora dos setores de tecnologia está aumentando. Junte a esse dado o encontrado na pesquisa da Pluralsight, em que 51% dos novos profissionais de tecnologia não conhecem ou conhecem apenas uma linguagem de programação, e você tem um ambiente perfeito para o low-code crescer e frutificar.

De fato, vários fatores permitem a criação de produtos digitais por quem não é da área técnica ou para quem é, mas quer acelerar as coisas. O low-code é o mais proeminente deles. Não por acaso, muitos – e, além da Gartner, a Forrester – preveem que o low-code será o mainstream.

Segundo a consultoria Gartner, a previsão é de que, até 2024, 80% dos produtos da tecnologia sejam feitos por profissionais que não são totalmente técnicos e que 65% deles serão feitos em plataformas low-code.

De acordo com levantamento da Rad Hat, o low-code tem o potencial de diminuir de 50% a 90% o tempo de desenvolvimento de uma aplicação comparado ao desenvolvimento tradicional. A pesquisa – mais conservadora que a Gartner – ainda prevê que cerca de 50% das aplicações sejam desenvolvidas em low-code nos próximos anos.

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Previsões e promessas postas, vamos à realidade. Segundo a Forrester, 2020 foi um ano de inflexão para o low-code. 50% das organizações já usam ou planejam usar plataformas low-code, contra 40% que ainda hesitam.

Neste post, além de entender o que é o low-code, vamos ver como ele é viabilizado e potenciais benefícios para quem começar a se mobilizar desde já.

O que é low-code?

Low-code é desenvolvimento abstraído do nível do código por meio de ferramentas como modelos visuais, templates e funcionalidades de design como arrastar e largar, disponibilizadas em plataformas.

Leia também: Fábrica de software é a solução para seu projeto?

O low-code permite, dessa forma, que pessoas com qualquer nível de habilidade técnica em desenvolvimento possam desenvolver aplicações e produtos digitais, tornando o processo iterativo, rápido, fácil e barato.

O termo foi cunhado pela Forrester em 2014 e, de lá para cá, difundido sobretudo em seus estudos e pela Gartner. Os desenvolvedores em low-code que não são programadores profissionais têm até título: citizen developers ou, em tradução livre, desenvolvedores cidadãos.

Embora o low-code torne a criação de código mais acessível àqueles que estão fora da tecnologia, ele também costuma ser usado por desenvolvedores profissionais, num modelo integrado em que código e low-code trabalham juntos. De acordo com a Rad Hat:

Ele toma menos tempo para prototipar, testar e ir para produção. E ainda se adapta e pode rapidamente viabilizar a automatização inteligente de processos quando combinado com machine learning e inteligência artificial.

Como o low-code é possível?

Para entender como o low-code é possível, cabe olharmos um pouco para a história das linguagens de programação, uma história cujo principal ingrediente é a simplificação. De FORTRAN, passando por COBOL até C, o avanço nesse sentido foi imenso.

Com as aplicações web e a profusão de sistemas rodando em diferentes plataformas que precisam trabalhar bem juntas – a uma velocidade rápida – o foco do desenvolvimento mudou da linguagem para a função.

Disso surgiram as linguagens modernas, focadas em ajudar os desenvolvedores a acelerar o processo de desenvolvimento e a diminuir seus custos, como PHP, Python e JavaScript, mas também as plataformas geradoras de código, isto é, as plataformas low-code.

Há outro elemento na origem das plataformas low-code: as plataformas BPM – business process management, que basicamente permitem o desenho de processos de negócio.

Low-code e no-code: diferenças

Entre low-code e no-code temos uma diferença de nível perceptível já no nome.

Low-code não é completamente sem código e, por mais que seja pouco código, para muitos não desenvolvedores – leia-se: citizens developers – essa exigência mínima já é um impeditivo suficiente para uma experiência (pelo menos, para uma experiência sem o envolvimento de desenvolvedores).

O no-code vai mais longe, por assim dizer, ao focar em facilidade de uso e ao não requerer nenhum código, ideal para citizens developers, como usuários das áreas de negócio. Mas suas limitações são maiores em relação ao low-code: com ele, é possível construir aplicações simples, sem muita customização e que não precisem de recursos de outras plataformas.

Low-code vs. desenvolvimento tradicional

Com a promessa de acessibilidade, o low-code está se tornando cada vez mais comum nas organizações, para cobrir certos gaps de desenvolvimento. Mas será que o low-code, feito por citizens developers, vai substituir sem mais o desenvolvimento tradicional ou os desenvolvedores? Parece algo remoto.

A empresa que usa low-code não vai deixar de precisar automaticamente da habilidade de codificar, sobretudo nas linguagem amplamente utilizadas como Java, C e Python, mas também em algumas linguagens legadas que ainda estão em uso em muitas organizações, como COBOL. Assim, para manter esses sistemas funcionando ou planejar bem sua migração para novas linguagens, um conhecimento de linguagens atuais e legadas será vital no futuro imediato.

Mas, principalmente, é difícil imaginar profissionais não técnicos desenvolvendo aplicações críticas, que exigem perfomance, segurança e outras decisões que fazem parte do escopo mais amplo de uma transformação digital.

Leia mais: Software de plateleira ou customizado: como saber qual é o ideal?

O low-code pode ser poderoso nas mãos de citizens developers para resolver problemas específicos e pontuais. Muito mais do que isso e todo o cuidado é pouco, se não houver envolvimento da TI.

Aliás, o verdadeiro poder do low-code surge quando ele está nas mãos de desenvolvedores e de áreas de negócio. Nesse aspecto, as plataformas low-code servem a ambos como ferramenta para o alto desenvolvimento de código.

Plataformas low-code

As plataformas são a arena onde o low-code acontece. No entanto, o ecossistema é bem diverso, com várias combinações de recursos possíveis.

Muitas delas requerem que o usuário domine apenas Excel ou outros programas simples, além de passar por um curso rápido sobre como usar. Para um uso avançado, muitas disponibilizam certificações de aprofundamento.

Vamos citar as mais conhecidas:

Benefícios do low-code

1. Acessibilidade

O low-code empodera áreas de negócio em relação à TI, tornando-as menos dependentes do setor de tecnologia para manter suas operações rodando.

2. Colaboração maior entre TI e negócios

Se a falta de conhecimento técnico era o problema de um e a falta de conhecimento de negócio era o problema de outro, com o low-code é mais fácil fazer todos falarem a mesma língua.

3. Controle sobre o processo de criação do software

Ninguém mais indicado do que quem entende exatamente os desafios que pretende resolver construa o software.

4. Economia com treinamento

Embora a operação avançada em plataformas low-code exija treinamento, de maneira geral a curva de aprendizado é menor do que a necessária para construir todo o código.

5. Menor pressão sobre o setor de TI

Ao colocar o poder de desenvolvimento nas mãos de não desenvolvedores, que levam constantemente suas requisições à TI, o low-code diminui a pressão.

Desafios do low-code

1. Segurança

Segundo dados da Forrester, a segurança do low-code ainda não é bem compreendida, mesmo pelos fornecedores, que fazem sólidos investimentos em segurança. Quanto aos usuários, há confiança nos servidores.

Ainda assim, o nível de segurança parece ser maior do que o de aplicações tradicionais quando o desenvolvimento é feito inteiramente dentro da plataforma low-code, sem customização de código ou integrações com base de dados, aplicações e clouds externas.

2. Rigor dos testes

Há dúvidas, também de acordo com pesquisa da Forrester, a respeito do grau em que aplicações criadas em low-code são testadas, podem ser testadas e devem ser testadas.

Segundo a análise, embora não devessem mudar no low code, o rigor dos testes podem sim ser afetados, dado o nível de abstração do código.

Low-code: valorize o código abrindo mão dele no momento certo

Como vimos, o low-code e sua variação em no-code vêm como formas de acelerar a produção de soluções na organização, sem, para isso, acessar a TI.

No entanto, sejamos claros: ele não tomará o lugar da escrita tradicional de código, que continuará sendo requerida na organização, sobretudo na construção de aplicações críticas, na sustentação e no planejamento de migrações.

O valor do low-code está na possibilidade de unir área de negócios a TI, dando independência à primeira e poder de entrega e esclarecimento à segunda.

E na sua organização? Qual a posição sobre o low-code e o no-code?


Escrito por Marketing

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