Gestão

Times ágeis: por que são uma vantagem competitiva em crises?

14 de Maio de 2020

por Marketing

Tempo de leitura: 5 min

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Entenda os motivos pelos quais times ágeis respondem melhor a mudanças rápidas

O período é de mudanças drásticas. Para além das tecnologias, as organizações têm que contar, acima de tudo, com suas pessoas.

Só que, com a ida imposta para o home office e o modelo de trabalho, os impactos em eficiência e coesão dos times já estão sendo sentidos mundo afora. Veja o que um levantamento da Harvard Business Review mostrou nesse sentido:

  • 80% dos profissionais disseram que teriam relacionamentos melhores com comunicações mais frequentes com o time;
  • 43% disseram que mais olho no olho ajudaria a desenvolver relacionamentos mais profundos com membros da equipe; e
  • 52% afirmaram que não se sentem tratados de maneira igual pelos colegas.

Isso é chocante, quando nos damos conta que o home office é realidade em muitas profissões. E este não é o único estudo que mostra que times que trabalham juntos no mesmo lugar são mais produtivos e tomam melhores decisões.

Portanto, adaptação e resiliência nunca foram tão urgentes, não só para reverter para esses números, mas para criar condições para a recuperação, para responder à crise. E quando se trata disso, organizações com times ágeis, ou seja, com um mindset agile, já saem na frente, com vantagem competitiva para lidar com problemas como esses.

Neste artigo, você entenderá por que os times ágeis conseguem lidar melhor com crises, o modo eles operam para isso e ainda como engajar a sua equipe, seja ela ágil ou não.  

webinar agilidade é questão de sobrevivência

Qual a diferença dos times ágeis para os times tradicionais?

Os frameworks ágeis já são amplamente reconhecidos como importantes metodologias de trabalho, por proporcionarem:

  • autonomia e empoderamento;
  • cadência e ritmo de trabalho;
  • flexibilidade e adaptabilidade a novos cenários;
  • orientação a dados e a resultados que gerem valor para clientes.

Para serem assim, times ágeis operam concentrados em seus propósitos e prioridades – sem apego nenhum a seus processos -, com alto nível de transparência – o que exige maturidade na comunicação – e com confiança – líderes sabem que seus colaboradores vão entregar as melhores soluções.

Como essas características tornam o time maduro e bem coeso, a adaptação a novos cenários é mais fácil. Como afirma Fábio Jascone, Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento na Philips:

Empresas tradicionais se fecham no mundo físico delas. Têm medo de se expôr, não confiam tanto nas pessoas e têm uma carga de burocracia grande. Só que quando acontece uma situação como a atual, elas ficam muito limitadas, a velocidade de adaptação fica muito limitada.

Por isso, para Carlos Eduardo Polegato, Coordenador de Tecnologia da Globo.com:

As organizações precisam acompanhar resultados sem caírem na microgestão. Quando há clareza sobre o resultado que a organização quer alcançar, de qual é o Planejamento Estratégico, do que ela busca, é claro que os times, mesmo distantes, conseguem tocar suas atividades com autonomia.

Times ágeis não seguem frameworks ágeis à risca

Times ágeis são fonte de diferenciais competitivos para organizações não apenas porque seguem frameworks ágeis à risca. Frameworks ágeis são meios para construir times de alta performance para gerar valor para clientes, não fins em si mesmos. Como Jorge Audy preconiza, times ágeis não são ágeis porque são radicais.

Pelo contrário, dado o alto nível de transparência, flexibilidade e comunicação, eles têm condições de gerar autoconhecimento e crítica constantes – sobretudo com tantas mudanças como agora. Isso leva a ações de adaptação.

Se, nesse percurso, por exemplo, uma cerimônia scrum se mostrar pouco apropriada ou sem pertinência ou, pelo contrário, pertinente, o time todo pode decidir abrir mão dela ou adotá-la, respectivamente. Em última análise, o time pode decidir com maturidade até por não ser completamente ágil. E não tem nada de errado nisso, se a decisão for consciente.

Leia também: Metodologias ágeis: importantes, mas não tudo.

Em virtude disso, segundo Polegato, na Globo.com diferentes áreas trabalham com frameworks ágeis diferentes:

Uma equipe trabalha com Kanban, outra com Scrum e outra com os dois. São realidades diferentes dentro da mesma empresa. 

De acordo com Jascone, isso é natural porque times ágeis “conhecem um pouco das várias ferramentas, para então saber o que vão usar”. Assim, por exemplo, culturas como agile e lean podem se complementar – ou não.

Times ágeis têm um mindset agile em torno deles

Para Sidnei Bunde, CEO da Supero Tecnologia, cultura é dos elementos organizacionais mais desafiadoras e mais difíceis de mudar. Não sem razão.

Um conjunto de valores e de princípios, de práticas e processos, bem como de objetivos e propósitos, se consolidam ao longo de certo tempo. Mas a efetividade desse processo paulatino é tão alta, que modificar esse conjunto de crenças, práticas e fins também é bastante desafiador.

Por isso, para Bunde, times ágeis têm gestores que lideraram pelo exemplo, sobretudo quando querem mudar um minset. Para complementar, para Fábio Trierveiler, Lean-Agile Coach da Supero Tecnologia, é fundamental que esse mindset se espraie por todos os níveis organizacionais.

A cultura agile deve ser promovida desde a alta gestão. Não adianta implementar metodologias ágeis se isso não estiver claro em todos os níveis organizacionais.

Qual a impressão dos times, por mais ágeis que sejam, se aquela linguagem e aquele pensamento não fizer sentido para a direção? Pior ainda: se não for dada como exemplo? Nada mais danoso para o engajamento.

Por isso, mindset é algo que se reflete na camaradagem e no sentido de comunidade, ambiente onde florescem qualidades raras como confiança, respeito, empatia e abertura ao diálogo. Nas palavras de Polegato:

Na interação da liderança com as pessoas: como ela cobra, como age quando as pessoas erram. E ajuda a virar o mindset do colaborador, que vai saber está em um ambiente seguro.

Times ágeis não são tratados como mera engragem de uma máquina, pois o valor que eles criam para os clientes – espera-se – deve ser bem maior que a simples soma das partes.

Times agéis: por que pessoas transformam organizações

Neste artigo, você viu alguns motivos pelos quais times ágeis conseguem, com mais facilidade, se adaptar a momentos de crise e, assim, vencê-las.

Como você viu, agilidade, no entanto, é algo que vai além de um framework ágil: são as pessoas que transformam as organizações - junto com as ferramentas.

Conseguimos entender melhor o conceito de agilidade e de equipes ágeis quando os entendemos como um modo de trabalhar que atravessa todo o time e é sempre motivo de reflexão por todos – líderes e demais colaboradores.

Chegar a esse patamar de maturidade não é simples, mas como toda cultura é uma prática que se consolida pelo exemplo ao longo com o tempo – e vai produzindo efeitos duradouros sobre a organização.

Se você precisar de ajuda nisso, não pense duas vezes em falar conosco!

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Escrito por Marketing

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