Gestão

Metodologias ágeis: importantes, mas não tudo

19 de Março de 2020

por Marketing

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Entenda por que o pensamento agile vai muito além de andar com um framework ágil embaixo do braço

Uma coisa é certa: quando se trata de desenvolvimento de softwares, não usar metodologias ágeis pode comprometer o andamento de um projeto, gerando atrasos, desperdícios, desmotivação do time e uma série de outros problemas.

Por isso, desde startups a grandes empresas tradicionais, os gestores já sabem que os frameworks agile são o tratamento para muitas dificuldades, tanto em projetos em tecnologia quanto até mesmo fora dela.

Mas, agora, será que o excesso desse remédio também pode ser o que compromete a entrega de um projeto? Para o consultor e Lean-Agile Leader da Supero Tecnologia Fábio Trierveiler, a resposta é sim.

E alguns dados comprovam: de acordo com o portal Método Ágil, ao mesmo tempo que 95% das organizações desejam – se ainda não utilizam – usar metodologias ágeis em seus projetos, 46% das que já usam não alcançam a agilidade esperada mesmo que sigam ao pé da letra os rituais e cerimônias.

supertalks - agile

Por quê? Para Trierveiler, há uma confusão dentro das organizações. Vamos entendê-la e ver o que fazer para resolvê-la, neste post.

É ou não é agile? A grande pergunta dos gestores de TI

Segundo Fábio, “há uma guerra particular entre os gestores de TI. Uns dizem que frameworks ágeis escaláveis como o SAFe são ágeis de verdade, outros dizem que não. Mas um ponto comum entre ambos é este: não ser ágil é um pecado imperdoável no desenvolvimento de softwares. […] Atualmente vejo muitas empresas de tecnologia perseguindo a tal da agilidade a todo o custo.”

superocast - lean thinking

Por isso, uma das perguntas que Trierveiler e os consultores em Lean Digital da Supero Tecnologia mais ouvem quando chegam nas empresas é:

- Quão ágil meu time é? 

Para nosso Lean-Agile Leader, a pergunta que as empresas têm que fazer não é essa. Mas qual é, então?

A obsessão das metodologias ágeis

Para começar, Trieveiler explica que sem dúvidas a pergunta "quão ágil meu time é" é uma das perguntas que um gestor de desenvolvedores de software deve se fazer.

Mas o fato de a primeira pergunta dos setores de tecnologia ser a respeito de estar ou não usando os rituais ágeis em sua completude indica, para Trierveiler, que a obsessão por ser ágil se tornou a única meta importante, um fim em si mesmo.

De acordo com o Lean-Agile Leader, é aí que mora o perigo:

- O ‘agilista com o framework embaixo do braço’ força o time a fazer planning poker porque leu que isso era legal em uns artigos bacanas; ou a fazer uma retrospectiva cumprindo à risca o timebox, mesmo que não dê tempo de pensar nos planos de ação; a fazer daily - reunião diária - com as três perguntas básicas, mesmo que todos estejam mexendo nos seus celulares enquanto o colega fala; ou, ainda, se evidencie atraso eminente da entrega, mas ninguém se ofereça para fazer um esforço extra para cumprir com o acordado entre o time na sprint planning.

A verdade é que, se os rituais da metodologia ágil adotada pelo time não fazem parte da cultura, eles não produzem a agilidade esperada nos projetos. Ao contrário, eles geram um impacto que se reflete negativamente sobre as próprias operações.

- Às vezes, seguir a ‘receita de bolo agile’ só por seguir, deixando o engajamento do time em segundo plano, acaba transformando tudo em um verdadeiro processo de auditoria da ISO 9001 ou MPS.Br. (No início dos anos 2010, esse tipo de autoria começou a entrar em declínio e a perder seu valor real justamente porque as sujeiras eram colocadas embaixo do tapete, apenas para que as empresas conseguissem o certificado e, assim, pudessem participar de editais de licitação).

Mas como impedir que o remédio se transforme em veneno?

Metodologias ágeis adequadas à sua cultura

Para Fábio, a solução começa por modificar aquela primeira pergunta:

- Não é o quão ágil sua empresa ou time é, mas o quanto de valor, crescimento e prosperidade é visto no horizonte da organização. Um framework, um manifesto ágil e uma lista de princípios servem para você usar na medida em que vê valor e em que se aplica à sua realidade. 

Aliás, é precisamente esse ajuste dos princípios ágeis à realidade da empresa que os próprios menifestos recomendam. Perseguir a agilidade é importante sim, mas na medida em que responda à cultura! As metologias ágeis têm que estar dentro da caixa de ferramentas dos times, para serem usadas quando forem necessárias.

Na prática, isso significa:

- Exemplificando: se uma organização que utiliza as entregas trimestrais do SAFe, com um pouco de ‘cascágil’ no produto, com cerimônias do Scrum no desenvolvimento, com as guilds e chapters típicas do Spotify  e ainda com um ISO 9001 por trás disso tudo, deixa os funcionários motivados e engajados, cumpre todas as suas metas de faturamento e entrega valor constante ao cliente, qual é o pecado?

Você já deve saber que a resposta é que não há pecado nenhum. Trierveiler comenta que “não é um problema desenvolver um software sem utilizar todas as cerimônias do Scrum ou todas as métricas por trás do Kanban”. O que importa é entregar o projeto ou, nas palavras dele:

- O que importa é testar as várias possibilidades oferecidas por este rico universo e se ajustar continuamente ao que melhor se encaixa na realidade da sua organização.

Como usar as metodologias ágeis a seu favor

Agora, sabendo que a simples assimilação dos princípios das metodologias ágeis não garante o sucesso no desenvolvimento de softwares, você pode se tranquilizar.

Mas não relaxar. Como dissemos, a busca da agilidade tem que estar entre as preocupações dos times. Mas, para não cair na mera reprodução às cegas, o gestor de TI precisa conhecer os métodos agile em toda a sua extensão e saber aplicar ao gerenciamento do time os princípios que servem exatamente a seus objetivos.

Chegar a esse uso virtuoso das metodologias ágeis, aplicando com maestria os preceitos, é outro desafio.

Para entregar essa personalização das metodologias ágeis à sua organização, a Supero Tecnologia criou a consultoria e as formações em Lean-Agile. Quer saber mais, sem compromisso? Fale conosco!


Escrito por Marketing

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